Literatura


Literatura e Não Literatura


Texto A


No lombo da jumenta Branquinha estão empilhados os pertences da família: duas panelas pretas, três pratos, três colheres, três copos, uma moringa e uma esteira. Há ainda um rádio, com defeito, que ora vai no lombo da jumenta, ora na mão de Zenaide ou João Honorato do Nascimento. Isso, mais a roupa do corpo, é tudo que o casal possui. Na semana passada, Zenaide e loão Honorato, ambos com 30 anos, mais a filha Cícera, ou "Ciça", de 11, estavam na estrada. Depois de juntar tudo o que tinham, atrelar a jumenta e chamar a cachorra Jaqueline, eles deixaram sua cidade natal de Iguatu, no Ceará, e se puseram a caminho na escaldante BR-020, com direção a Canindé, 230 quilômetros ao norte. Ali, se não houver emprego - talvez seja pedir demais -, há a presença de um santo considerado forte e generoso, o padroeiro local, São Francisco das Chagas. Veja 17 ago. 1983. p. 56.

Texto B

Vidas secas

A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
- Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário - e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.
Tinham deixado os caminhos, cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a idéia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores.
Sinha Vitória esticou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que, estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados ao estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinha Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinha Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
Ausente do companheiro, a cachorra Baleia tomou a frente do grupo. Arqueada, as costelas à mostra, corria ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se detinha, esperando as pessoas, que se retardavam. (Graciliano Ramos)

ESTUDO DOS TEXTOS

Texto A

1. Ocorre no texto alguma palavra empregada em sentido conotativo?

R= Não Há.


2. Que função da linguagem predomina nesse texto?


R= Expressiva

3. O objetivo principal do emissor dessa mensagem é informar o leitor ou despertar sua emoção?

R= Informar o leitor

4. O autor desse texto é um jornalista. Ele inventou o fato narrado?

R= Não

5. Os nomes - Zenaide, João Honorato, Cícera, Jaqueline, Branquinha - referem-se a seres concretos (que realmente existiram ou existem) ou foram inventados pelo jornalista?

R= São Seres Concretos

6. Os lugares do Nordeste citados na reportagem são os seguintes: estrada, iguatu, BR-020, Canindé. Esses lugares podem ser localizados num mapa ou fazem parte de um mapa fictício inventado pelo jornalista?

R= Podem ser localizados num mapa


Texto B

1. "E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande."

a) Trata-se de uma viagem sem destino certo. Transcreva a frase do texto que justifica essa afirmativa.

R= "o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde"

b) Que fenômeno da natureza desencadeia essa necessidade de viajar?

R= Seca

2. Observe estes dois momentos da narrativa:
a)" Fabiano desejou matá-lo" ;
b) "...Fabiano teve pena" 
A que se deve essa mudança no comportamento da personagem?

R= Deve-se ao medo de que o filho morresse e fosse devorado pelos urubus

3. No texto ocorrem palavras ou expressões empregadas em sentido conotativo. Transcreva duas delas.

R= "Coração Grosso"
"Anjinho"
"Voo Negro"
"Vermelho indeciso"

4. O narrador não se limita a registrar objetivamente aquilo que "vê". Ele penetra no interior das personagens, revelando-nos estados de espírito e pensamentos das mesmas. Justifique a afirmativa transcrevendo trechos do texto.


R= " Fabiano desejou matá-lo" ou  "...Fabiano teve pena" 



5. "impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato." O diminutivo destacado indica tamanho ou foi empregado subjetivamente para expressar afetividade?

R= Foi empregado subjetivamente para expressar afetividade

6. O principal objetivo do autor desse texto é informar ou despertar emoção no leitor?

R= Despertar emoção no leitor

7. Os nomes - Fabiano, Baleia, Sinha Vitória, pirralho - referem-se a seres que realmente existem ou existiram ou a seres inventados pelo escritor?

R= Seres inventados

8. Os lugares citados no texto - caatinga, caminhos cheios de espinhos e seixos, margem do rio - são empregados em sentido genérico, não-individualizado. Portanto: eles podem ser localizados num mapa ou fazem parte de uma geografia fictícia, inventada pelo escritor?

R= Fazem parte de uma geografia fictícia, inventada pelo escritor

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